A alta demanda por chips de memória causada pela inteligência artificial está elevando o preço de componentes reciclados, transformando celulares danificados em ativos valiosos para o mercado de reparo.
Escassez global impulsiona valor de peças usadas
O mercado de smartphones está passando por uma mudança significativa impulsionada pela corrida global por chips de memória necessários para o treinamento e operação de modelos de Inteligência Artificial. Essa demanda insaciável está gerando uma escassez que reflete diretamente no preço de dispositivos usados e, surpreendentemente, naqueles considerados “sucata”.
Dados da plataforma B-Stock revelam que, no segundo trimestre de 2026, os preços tanto de aparelhos Apple quanto Samsung subiram em comparação aos dois trimestres anteriores. O que antes era descartado como lixo eletrônico agora é cobiçado por empresas de refurbishment e reparo, que encontram valor econômico na recuperação de componentes específicos.
Modelos mais valiosos no Brasil
Os dados indicam uma tendência clara de valorização por marca e modelo:
- Apple: O iPhone 17 Pro Max lidera a lista, alcançando uma média de $940 por unidade, independente do estado de conservação.
- Samsung: Os modelos S23 Ultra, S22 Ultra e S24 Ultra são os mais procurados. Após o lançamento do Galaxy S26, os preços dos anteriores subiram, com um S23 Ultra em bom estado atingindo $425 em junho.
Embora aparelhos de baixa qualidade (Grau D) representem a maior volume de vendas, há uma migração para aparelhos de qualidade intermediária (Grau C), que já superaram o volume de vendas dos piores modelos.
Por que celulares quebrados valem mais?
Muitos consumidores mantêm seus aparelhos por longos períodos. Quando esses dispositivos são revendidos ou reciclados, eles muitas vezes entram na categoria de “Grau D” devido a falhas simples, como saúde da bateria abaixo do esperado. No entanto, o corpo do telefone, a tela, as câmeras e, crucialmente, os chips de memória podem estar perfeit funcionais.
A economia da recuperação de componentes está mudando. Antes, o custo da mão de obra para retirar e testar essas peças era maior que seu valor. Agora, com a escassez de memória nova para IA, compensa economicamente desmontar aparelhos considerados “irrecuperáveis” para uso de peças de reposição em outros dispositivos.
Impacto no consumidor brasileiro
Para o usuário comum, isso significa duas coisas:
- Venda de usados: Mesmo se o celular estiver com defeito, não descarte na lixeira comum. Oficinas de reparo podem pagar mais por ele como fonte de peças.
- Custo de reparo: A manutenção pode se tornar mais cara, pois as oficinas terão que pagar mais pelas peças de reposição oriundas dessa reciclagem técnica.
Apesar do discurso ambiental, especialistas apontam que este movimento é, primariamente, uma correção de mercado e não um despertador ecológico. No entanto, isso pode reduzir o lixo eletrônico acumulado em gavetas, direcionando-o para um ciclo de reaproveitamento mais lucrativo e eficiente.