Will Burrard-Lucas, vencedor dos Sony World Photography Awards, utiliza armadilhas fotográficas infravermelhas para capturar imagens de fauna em alta resolução.
Novas técnicas de captura remota
O renomado fotógrafo de vida selvagem Will Burrard-Lucas, recentemente premiado na categoria de vida selvagem e natureza nos Sony World Photography Awards 2026, compartilhou os detalhes técnicos por trás de suas impressionantes imagens capturadas no Masai Mara, no Quênia. Ao contrário do que se imagina, as fotos não foram tiradas com drones ou longas esperanças em uma toca, mas sim através de um sistema sofisticado de captura remota.
O papel das ‘armadilhas’ fotográficas (Camera Traps)
Burrard-Lucas utiliza dispositivos desenvolvidos por ele mesmo, chamados Camtraptions, que funcionam como sensores de movimento por infravermelho passivo (PIR). Esses sensores são posicionados estrategicamente no ambiente e, ao detectar movimento, enviam um sinal sem fio para uma câmera profissional (DSLR) disfarçada nas proximidades, acionando o obturador no momento exato.
Essa tecnologia permite que o fotógrafo capture animais em seu habitat natural sem causar interferência ou estresse, algo impossível ao tentar se aproximar fisicamente das espécies selvagens.
Por que câmeras DSLR antigas são recomendadas?
Um dos pontos curiosos revelados pelo fotógrafo é sua preferência por câmeras DSLR antigas e de segunda mão em vez de equipamentos mirrorless de ponta. Ele explica que, como o equipamento precisa ficar exposto ao clima por meses em campo, o custo-benefício de usar modelos mais antigos é superior. Além disso, elas são mais robustas e compatíveis com flashes externos potentes, essenciais para as fotos noturnas.
Impacto para o mercado de fotografia
Essa abordagem democratiza o acesso à fotografia de vida selvagem de alta qualidade. Embora o kit completo (sensor + câmera + flashes + acessórios) tenha um custo elevado, o resultado final supera em muito a qualidade das tradicionais câmeras de rastreamento (trail cams) disponíveis no mercado, que geralmente produzem imagens de baixa resolução. Para entusiastas e profissionais, a técnica abre um novo leque de possibilidades para documentar a natureza com um nível de intimidade e nitidez nunca antes alcançado remotamente.