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Fundadora da Even Realities critica Meta e Google: ‘Nós não vivemos da venda de dados’

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Equipe Editorial

Fundadora da Even Realities critica Meta e Google: 'Nós não vivemos da venda de dados'

CEO da startup de óculos inteligentes desafía o modelo de negócios da Big Tech, afirmando que a inclusão de câmeras nos óculos visa apenas coletar dados para treinar IA, e não melhorar a experiência do usuário.

Em um momento crucial para o mercado de wearables, Will Wang, CEO da Even Realities, lançou uma crítica direta aos gigantes da tecnologia como Meta e Google. Em entrevista exclusiva, Wang questionou a estratégia atual da indústria de incorporar câmeras e microfones em óculos inteligentes, alegando que a motivação principal é a coleta de dados para treinar modelos de inteligência artificial, e não a inovação genuína do produto.

O conflito: Privacidade vs. Coleta de Dados

Enquanto a Meta e o Google argumentam que as câmeras são essenciais para a ‘IA visual’ — permitindo que os óculos reconheçam objetos e contextos em tempo real — Wang vê isso como um erro de design. Ele acredita que as grandes empresas estão priorizando seu ‘jogo final’ (o domínio da IA futura) em detrimento da usabilidade imediata.

“Sinto que essas grandes empresas deixam que seu pensamento de longo prazo ditasse seus produtos atuais, em vez de focar em criar o produto perfeito para o momento presente”, afirmou Wang. Para ele, dispositivos pesados e com bateria limitada, projetados para capturar dados visuais, não oferecem valor real hoje para o consumidor médio.

A estratégia da Even Realities: Sem câmeras

Diferente dos concorrentes, os óculos da Even Realities (como o modelo G2) não possuem câmeras nem alto-falantes externos. A empresa foca em uma interface de realidade aumentada discreta (HUD) que exibe textos, notificações e resumos de conversas diretamente no campo de visão do usuário.

Wang destacou que a empresa “não vive da venda de dados, mas sim da criação de bons produtos”. Ele apontou que, sem regulamentações claras sobre o uso de dados visais, adicionar câmeras aos óculos traz mais riscos éticos e regulatórios do que benefícios reais no estágio atual da tecnologia.

O desafio para o mercado brasileiro e global

Com uma recente rodada de investimentos que avaliou a empresa em US$ 1 bilhão, a Even Realities está expandindo sua equipe de engenharia para até 400 pessoas, focada no lançamento do G3. A startup se posiciona como uma alternativa ética e focada na usabilidade para quem busca tecnologia vestível sem a invasão de privacidade associada aos óculos da Meta ou Snap.

Para o consumidor brasileiro, que cada vez mais adota wearables para produtividade e estilo de vida, a discussão levanta uma questão importante: vale a pena carregar um dispositivo que, essencialmente, vigia o ambiente ao redor para obter funcionalidades que ainda são incipientes?

Se a tendência da Even Realities se consolidar, poderemos ver uma divisão clara no mercado: de um lado, óculos como sensores de dados; do outro, óculos como ferramentas discretas de produtividade e informação.

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