Pesquisadores de segurança descobriram uma nova ameaça única para Android que combina roubo de dados, espionagem via câmera e criptografia de arquivos para pedir resgate.
Uma ameaça híbrida e perigosa
Um novo tipo de malware, batizado pelos pesquisadores da Zimperium de Mantax Otax, está circulando ativamente na internet e representa uma evolução assustadora na segurança móvel. Diferente das ameaças tradicionais que focam em um único objetivo (como apenas roubar senhas ou apenas criptografar arquivos), esta nova variante combina quatro funcionalidades letais em um único aplicativo: infector, spyware (RAT), backdoor e ransomware.
Como o ataque funciona no dia a dia do usuário
O malware é distribuído como um arquivo APK standalone, o que significa que ele não está nas lojas oficiais (Google Play ou Samsung Galaxy Store). Ele é encontrado em lojas de aplicativos de terceiros, canais do Telegram, fóruns e através de ataques de phishing. Ao ser instalado, o aplicativo solicita permissões administrativas extensas. Se o usuário conceder essas permissões — o que é comum para evitar travamentos em apps desconhecidos —, o malware toma o controle total do dispositivo.
Os riscos para o consumidor brasileiro
O que torna essa ameaça particularmente invasiva é a sua capacidade de espionagem em tempo real. O Mantax Otax não apenas rouba contatos, histórico de navegação e mensagens (incluindo WhatsApp e Telegram), mas também ativa as câmeras frontal e traseira para tirar fotos e transmitir a tela ao vivo para os cibercriminosos. Além disso, ele pode gravar áudio e capturar PINs da tela de bloqueio do Telegram.
Após coletar todos os dados valiosos, o malware executa sua segunda fase: o ransomware. Ele criptografa os arquivos do usuário (fotos, documentos) usando o padrão AES, exclui os originais e adiciona a extensão .enc. A vítima então recebe uma mensagem exigindo pagamento de resgate para recuperar o acesso aos arquivos.
Quem está em maior risco?
Segundo a Zimperium, o ataque é desenvolvido por atores indonésios, mas pode atingir qualquer pessoa que baixe aplicativos não verificados. No entanto, há uma boa notícia para quem possui celulares mais modernos: dispositivos com Android 10 ou superior estão significativamente mais protegidos. As restrições nativas do sistema, como o Scoped Storage (Armazenamento Direcionado), impedem que o ransomware acesse toda a pasta de arquivos do usuário, limitando o dano apenas aos arquivos temporários do próprio aplicativo malicioso.
Usuários de Android 9 e versões anteriores, ou aqueles que instalam aplicativos de fontes duvidosas, estão em risco crítico. A recomendação é clara: nunca instale APKs de fontes não oficiais e mantenha o sistema operacional atualizado.