Revitalization Unlimited propõe uma torre de 20 andares em Kansas City para concentrar servidores, reduzindo a necessidade de terrenos amplos, mas aceita um custo de construção elevado.
Construindo para cima: a proposta em Kansas City
O desenvolvedor Revitalization Unlimited apresentou um projeto inovador para o centro de Kansas City: uma torre de 20 andares dedicada exclusivamente à infraestrutura de computação. A ideia é concentrar equipamentos em apenas 0,23 acres (cerca de 930 m²), abandonando o modelo tradicional de grandes campus suburbanos que ocupam, em média, 224 acres. A torre terá capacidade de 24 MW, mas curiosamente apenas dois andares abrigarão os servidores. Os outros 18 são destinados a sistemas de energia, resfriamento e infraestrutura mecânica.
O custo elevado como aposta na proximidade
Os números do projeto refletem um trade-off claro. O investimento total gira em torno de US$ 183 milhões, o que equivale a aproximadamente US$ 1.300 por pé quadrado, bem acima da média de construções suburbanas. A maior parte do orçamento (cerca de US$ 107 milhões) vai para sistemas hidráulicos, elétricos e proteção contra incêndio. Para justificar o premium, a proposta foca na redução de latência: quanto mais perto os servidores estiverem dos usuários finais, mais rápidos são processos que dependem de resposta instantânea, como trading financeiro, telecomunicações e serviços de IA (inferência). Grandes treinamentos de inteligência artificial, no entanto, ainda demandam extensas áreas e energia massiva, mantendo o modelo horizontal como mais viável.
O que isso significa para o mercado brasileiro?
No contexto do Brasil, a construção vertical de data centers é uma possibilidade técnica interessante, mas esbarra em realidades econômicas e logísticas distintas. Aqui, o custo do metro quadrado em regiões metropolitanas como São Paulo ou Rio de Janeiro ainda não justifica plenamente a complexidade estrutural e o alto CAPEX de uma edificação vertical. Além disso, desafios como peso dos equipamentos, capacidade de elevadores industriais e logística de manutenção com guindastes tornam a operação mais complexa. Ainda assim, a busca por redução de latência para fintechs e serviços de nuvem edge tem ganhado força. A tendência brasileira segue sendo a otimização de data centers horizontais próximos aos grandes centros urbanos, aliada a investimentos em eficiência energética e fontes renováveis para equilibrar o OPEX.
Aprovación e desafios operacionais
O projeto, projetado pelo escritório SOM, segue em análise regulatória com previsão de decisão até 13 de outubro de 2026. Para operar, a torre buscará um PUE (Power Usage Effectiveness) de 1,25 e utilizará células a combustível Bloom movidas a gás natural. O sistema de resfriamento ainda prevê evaporadores, o que descarta a ideia de um consumo zero de água. Se aprovado, este será um laboratório importante para testar se a densidade urbana compensa os custos elevados de construção e manutenção em um setor que só cresce.