Yves Guillemot afirma que a transição digital total da Sony, prevista para 2028, terá impacto limitado, apesar das críticas de analistas e concorrentes sobre o mercado de usados.
O CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, manifestou-se recentemente sobre a decisão da Sony de encerrar a produção de discos físicos para seus consoles, um movimento que deve começar em janeiro de 2028. Em uma chamada de resultados financeiros referente ao primeiro trimestre de 2026-27, Guillemot sugeriu que essa mudança não causará grandes distúrbios na indústria de jogos como um todo.
Argumentos a favor da digitalização
Guillemot apontou que a experiência do mercado de PC, que já é predominantemente digital, mostrou ser benéfica para o crescimento do setor. Além disso, ele acredita que a eliminação de componentes físicos pode ajudar a reduzir o custo das máquinas no futuro, tornando os consoles mais acessíveis para o público.
“O que vimos no PC foi que isso ajudou a crescer o mercado. Há também alguma pressão futura sobre o custo das máquinas, e ser apenas digital ajudará a ter uma máquina mais acessível, eu acho”, disse Guillemot, reconhecendo que existem “prós e contras”, mas mantendo a visão de que o impacto será pequeno.
Reações do mercado e preocupações com o varejo
A decisão da Sony, anunciada pouco antes do início das pré-vendas de GTA 6 sem versão em disco, gerou uma reação negativa intensa por parte dos fãs. Analistas, por sua vez, alertam para os riscos econômicos dessa transição.
Michael Pachter, da Wedbush Securities, destacou que o mercado de jogos usados, avaliado em US$ 7,2 bilhões, está em perigo. “Realisticamente, pelo menos um terço dos jogos foram historicamente vendidos como usados, e esses jogos forneciam moeda para o jogador trocar por dinheiro em troca de novos jogos”, explicou Pachter, afirmando que o varejo físico de jogos está condenado.
Posições de concorrentes
Outros líderes do setor também comentaram a controvérsia. O presidente da Sega, Shuji Utsumi, reconheceu a importância crucial da mudança digital, mas ressaltou que a empresa ainda valoriza a cultura da mídia física. Já o ex-CEO da Nippon Ichi Software, Sohei Niikawa, embora entenda a decisão “de uma perspectiva puramente empresarial”, argumentou que, se a Sony vai eliminar as embalagens físicas, deveria considerar eliminar o hardware também, já que uma TV seria suficiente para jogar digitalmente.