Honor revela que desenvolveu o chip H1 em parceria com a ARRI para processamento de vídeo em tempo real, pois o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 sozinho não atende às demandas de captura pro.
A linha de smartphones de alta performance está cada vez mais focada em câmeras, mas a evolução dos processadores principais (SoCs) tem sofrido de retornos decrescentes para o usuário comum. É nesse contexto que a Honor se destaca com o novo Robot Phone, um dispositivo que não depende apenas do poder bruto do Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5.
Em entrevista exclusiva à TechRadar durante o lançamento do aparelho na China, Yang Liu, presidente de Engenharia de Hardware da Honor, explicou a decisão estratégica de incluir um chip de imagem dedicado, o Honor H1, ao lado do processador Qualcomm. Segundo Liu, embora o chipset da Qualcomm ofereça excelente desempenho para processamento de fotos estáticas, ele ‘não é bom o suficiente’ para capturas de vídeo de nível profissional por enquanto.
Parceria com a ARRI para cinema no bolso
O Honor H1 não foi desenvolvido apenas para melhorar a exposição ou o balanço de branco. Construído em parceria com a lendária fabricante alemã de câmeras cinematográficas ARRI, o chip permite o processamento de imagem em tempo real diretamente no dispositivo. Isso inclui ajustes de mapeamento de tom e controle de exposição, suportando gravação em 10-bit ARRI LogC3 e ARRI Wide Gamut 3.
Davide Bermbach, diretor de produtos da ARRI, destacou que o desafio foi reconstruir o pipeline de processamento da marca dentro de um dispositivo de massa. ‘Os pixels são muito preciosos para nós’, disse Bermbach, explicando que o alto poder de processamento do Robot Phone foi essencial para otimizar as múltiplas câmeras do aparelho (200MP principal, 200MP teleobjetiva e 50MP ultra-wide) para entregar uma imagem tecnicamente e artisticamente superior.
O que isso significa para o consumidor?
Para o criador de conteúdo brasileiro, o Robot Phone representa uma mudança de paradigma: a convergência entre um smartphone de ponta e um estabilizador profissional (gimbal) com qualidade de cinema. As primeiras impressões indicam que o vídeo gerado é comparável a equipamentos dedicados como o DJI Osmo Pocket, mas com a praticidade de um celular.
No entanto, a inovação tem seus custos. O dispositivo tende a esquentar significativamente durante sessões prolongadas de filmagem e não possui a mesma durabilidade de outros flagships tradicionais. Ainda assim, a introdução do chip H1 prova que, para tarefas específicas e exigentes, a arquitetura atual de smartphones ainda precisa de hardware especializado para extrair o máximo potencial.