Estúdio por trás dos sucessos de Sonic e Tomb Raider discute sua estratégia de transformar franquias de videogame em blockbusters cinematográficos e séries de TV.
A indústria de entretenimento vive o que muitos analistas chamam de “era de ouro” das adaptações de videogames. E no centro dessa transformação está a Story Kitchen, estúdio fundado por Dmitri Johnson e Mike Goldberg, responsável por colocar nos cinemas franquias bilionárias como Sonic the Hedgehog e Sonic the Hedgehog 2, além de impulsionar projetos como a série animada de Tomb Raider na Netflix.
Em uma entrevista recente, os co-fundadores revelaram que a estratégia da empresa vai muito além de adaptar apenas os maiores sucessos de vendas. O objetivo declarado é desmistificar o antigo estigma de que jogos eletrônicos são apenas para crianças ou “pessoas preguiçosas”, tratando os criadores de jogos como artistas e contadores de histórias dignos de respeito.
Adaptar antes do sucesso
Um dos diferenciais da Story Kitchen é seu processo criativo proativo. Ao contrário de estúdios que esperam uma franquia explodir nas paradas para correr atrás dos direitos, a empresa busca paixão narrativa acima de números de vendas.
“Não vamos a reuniões perguntando ‘quantas cópias este jogo vendeu?’. Isso é algo que desprezamos”, afirma Johnson. “Nós focamos em por que os personagens e as histórias são incríveis e únicas. Isso transmite paixão, e é isso que as produtoras querem ouvir”.
Essa abordagem já rendeu frutos. A equipe estava trabalhando com a equipe australiana do estúdio Sandfall Interactive para adaptar Clair Obscur: Expedition 33 já em 2023, muito antes de o jogo se tornar um fenômeno crítico e comercial em 2025. Hoje, com mais de oito milhões de cópias vendidas, a adaptação para o cinema ganha força como uma validação dessa visão de longo prazo.
O que vem pela frente?
O portfólio da Story Kitchen está repleto de projetos aguardados pelo público brasileiro e global. Entre os destaques confirmados ou em desenvolvimento estão:
- Tomb Raider (Série para Prime Video): Liderada pela criadora de Fleabag, Phoebe Waller-Bridge, e estrelada por Sophie Turner. As filmagens iniciaram no início de 2026 e a série busca trazer Lara Croft para o live-action com o aval total dos criadores originais, Crystal Dynamics.
- Life is Strange: Uma reinterpretação da aclamada aventura episódica da Square Enix, focada em manter a essência das escolhas morais do jogo.
- It Takes Two e Split Fiction: Adaptações cinematográficas dos jogos cooperativos da Hazelight, com Sydney Sweeney envolvida no projeto de Split Fiction.
- Projetos Indie e Nostálgicos: A empresa também está desenvolvendo filmes baseados em jogos como Sifu, Disco Elysium e Dredge, além de filmes baseados em brinquedos clássicos como Teddy Ruxpin.
O futuro: ‘Provar que games são arte’
Para Johnson e Goldberg, o sucesso financeiro de títulos como Sonic e Mario foi apenas o primeiro passo. A missão agora é institucional. Eles acreditam que as histórias dos videogames possuem o mesmo peso dramático de um best-seller da New York Times.
“O próximo passo é que veremos Oscars, Emmys e BAFTAs sendo conquistados por filmes e séries baseados em jogos”, afirma Johnson. “Nossa próxima missão é provar que videogames são arte”.
Com acordos de “first-look” (prioridade de produção) firmados com gigantes como Amazon MGM Studios e DreamWorks Animation, a Story Kitchen tem a estrutura para ditar os rumos da cultura pop nos próximos anos. Para o consumidor brasileiro, isso significa que os próximos anos trarão adaptações de alta qualidade, feitas com respeito à fonte original e com potencial para se tornar fenômenos culturais tão grandes quanto os filmes que já conquistaram as telas.